As ações de violência e terroristas impulsionadas por setores da direita durante o ano de 2017 em várias localidades da Venezuela procuravam gerar uma crise humanitária para justificar a intervenção e a ocupação militar imperialista no país, afirmou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante a apresentação nesta segunda-feira (15) na Mensagem Anual à nação, perante a Assembleia Nacional Constituinte (ANC). O discurso presidencial teve caráter de prestação de contas das ações do governo ao longo do ano passado e de orientações para o novo ano.

O ano de 2017 ficará guardado como um dos anos mais heroicos do povo, que conseguiu pôr-se de pé e sobrepor-se à violência da direita fascista, disse Maduro.

“Aqui há um povo com valores, que sempre surpreende com a sua consciência, um povo que não está disposto a render-se”, afirmou o chefe de Estado ao assinalar que o povo teve que resistir durante mais de 120 dias a ameaças e de cerco de grupos violentos.

Enfatizou que a oligarquia tentou de tudo para destruir, semear o caos e provocar uma intervenção militar imperialista na Venezuela. Mas o que conseguiram foi incrementar ainda mais a consciência de defender a paz no nosso país por parte do povo venezuelano.

Maduro recordou que não houve fórmula dentro dos mecanismos da chamada guerra não convencional que a direita fascista não tentasse contra o povo e chegaram a queimar seres humanos conscientemente sob as ordens da direita fascista.

O chefe de Estado avaliou a Assembleia Nacional (AN) burguesa como o maior fracasso político que jamais existiu em 200 anos da República.

“Onde está a AN? Onde está Ramos Allup? (presidente da AN) Poderíamos dizer que a AN é o maior fracasso político que jamais se viu em 200 anos da República”, afirmou Maduro.

O líder bolivariano demonstrou o contraste entre a AN atual e o trabalho do parlamento revolucionário nos primeiros 15 anos de funcionamento constitucional, que “foram exemplares”.

Nesse período a AN tinha uma maioria sólida de deputados patriotas e revolucionários que fizeram do Parlamento uma instituição de maior prestigio, pela sua capacidade de orientar os seus esforços em favor da nação, estar em sintonia com as necessidades do país e velar pelos direitos integrais do povo, ressaltou.

Em 2014-2015 a Venezuela teve uma AN maioritariamente patriótica e que prestou contas ao país, relembrou.

Não obstante, assinalou que os líderes da oposição no país e setores da direita colocaram a AN em 2016 e 2017 em “grave desacato continuado”, desconhecendo as sentenças do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), e inclusive da Constituição da República.

Hoje, 15 de janeiro de 2018, cabe-me a mim – como oportunidade única nesta vida – transitar frente a esta pacífica, plenipotenciária e magna Assembleia Nacional Constituinte (ANC), eleita por mais de 8 milhões de venezuelanos, apresentar a minha mensagem anual.

Neste contexto, Maduro destacou a importância do momento constituinte que o país está vivendo em todos os aspectos, ideal para convertê-lo num processo popular de ativação de forças morais, ideológicas, políticas e sociais, porque precisamente a ANC é a portadora de toda a energia do que se pode ou não fazer para transformar a realidade do país.

“Temos que defender a experiência da ANC a nível nacional e de todo o mundo, pois é uma experiência única na história das revoluções e que nos dá a possibilidade de renovação política, legislativa, emocional”, afirmou.

É por isso que a Revolução do Século 21 tem assombrado inimigos e amigos na sua capacidade de fazer e refazer e “confesso que me sinto muito emocionado por estar à frente de uma expressão histórica de um poder e de uma Revolução que sabe inventar-se, que sabe reinventar-se”, por isso “vim dizer as verdades de um povo maioritário que jamais se entregou às forças da oligarquia”.

Políticas sociais

Também nesta segunda-feira, o presidente disse que dedicará toda uma semana de reconhecimento aos professores e professoras do país. “Vamos fazer um reconhecimento a todos os corpos docentes, um reconhecimento espiritual, mas também um reconhecimento dos seus direitos sociais”.

O chefe de Estado anunciou ainda a atribuição de novas verbas para a Educação, a Saúde, a Habitação e às políticas sociais.

Economia

A Assembleia Nacional Constituinte (ANC) deve urgentemente tratar da regularização imediata dos preços dos alimentos e produtos perante o aumento excessivo impulsionado pelos setores que atacam a economia do país por razões políticas, defendeu Maduro.

Nesse sentido, indicou aos constituintes que “chegou a hora de aplicar a Lei de Preços Acordados” para que o povo possa aceder a preços justos.

O presidente disse que 2018 deve ser um ano para insistir nas novas fórmulas económicas e avançar em ações como a Agenda Económica Bolivariana e a Grande Missão Abastecimento Soberano.

Maduro afirmou também que a criação do Carnê da Pátria constituiu a esperança para o povo venezuelano, o eixo do sistema das missões sociais.

 

Fonte - Resistência