O Conselho Académico Conjunto de MEDICC exige à administração Trump que reverta o seu recente rumo hostil a Cuba, que afecta negativamente os esforços conjuntos para melhorar a saúde em ambos os países. O Conselho, entre cujos membros se incluem prestigiados especialistas dos Estados Unidos e de Cuba, é assessor do MEDICC, ONG norte-americana que celebra 20 anos de trabalho na promoção da cooperação bilateral em medicina e saúde.

A administração norte-americana desincentivou e inclusivamente proibiu o trabalho conjunto com Cuba em sectores chave como a saúde.

 

As acções recentes do governo dos Estados Unidos e o seu impacto directo incluem:

Impacto: Com os novos e regressivos regulamentos de viagem, comércio e investimento em Cuba, que entraram em vigor em Novembro, os EUA deram um gigantesco passo atrás e endureceram o bloqueio que há 55 anos sofrem os mais de 11 milhões de habitantes de Cuba. 

Esta política brutal castiga todos os cubanos a todos os níveis, negando-lhes os recursos financeiros para o desenvolvimento da sua economía nacional e da economía dos seus lares. A saúde do povo dos EUA também sofrerá. Os americanos precisam dos medicamentos, da experiencia e das estratégias que deram em Cuba resultados de saúde impressionantes. Por exemplo, a biotecnología cubana desenvolveu um medicamento que reduziu em 70% o risco de amputação no caso de úlceras do pé diabético enquanto nos EUA esta doença leva a 70 000 amputações por ano. Este e outros prometedores tratamentos contra o cancro, são exemplos de avanços cubanos dos quais se verão privados os norte-americanos se o Presidente Trump atingir os seus objectivos.

Os regulamentos restringem o direito dos norte-americanos viajarem a Cuba, intercambiarem com colegas e instituições de Cuba e fazer negócios com empresas
cubanas tanto públicas como privadas.

Impacto: Os regulamentos e o bloqueio ameaçam reverter o progresso na cooperação na área da saúde, que foi conseguido na presidência de Barack Obama, cuja administração assinou dois memorandos de entendimento com o sector da saúde pública de Cuba, um deles dirigido aos esforços conjuntos para enfrentar o cancro. Isto constitui um obstáculo à cooperação para combater tais enfermidades e aprender com o sistema universal de saúde pública de Cuba, desenvolvido apesar do bloqueio.

O Presidente Trump proíbiu os cientistas das agências governamentais de viajar a Cuba, cortando de forma efectiva os prometedores esforços conjuntos entre as autoridades de saúde de ambos os governos, pondo específicamente fim à colaboração na luta contra o virus Zika.

Impacto: Nas Américas, o Instituto de Medicina Tropical de Cuba é o Centro Colaborador da OPS/ OMS para o Zika e o dengue, doenças pouco conhecidas nos EUA mas que são agora um perigo real, já que 75% do seu território continental está infestado pelos mosquitos transmissores dessas doenças. Os doentes norte-americanos não poderão beneficiar dos conhecimentos acumulados em Cuba.

Washington fez acusações contra Cuba, não comprovadas científicamente, de que os síntomas relatados por membros do corpo diplomático dos EUA resultaram de “ataques sónicos” de fontes não identificadas. Apesar de Cuba ter recebido três vezes o FBI para que investigasse o assunto, e ter criado a sua própria comissão de inquérito que inclui cerca de 2000 especialistas, nenhuma das equipas encontrou qualquer prova do “ataque”. Por outro lado, apesar da insistência das autoridades cubanas, os EUA não colaboraram para ajudar a determinar o que realmente aconteceu. Mas a administração Trump culpou Cuba pelos incidentes e emitiu um alerta aos viajantes, que é um ataque à indústria turística de Cuba…mais uma tentativa para paralisar a economía cubana.

Impacto: O assunto “sónico” também foi utilizado para justificar a retirada de cerca de 60% do pessoal da embaixada dos EUA em Havana e obrigar a embaixada de Cuba em Washington a fazer o mesmo. Isto ameaça as viagens, o investimento e a Cooperação na área da saúde e noutros campos. Mas também põe em perigo o bem-estar das famílias cubanas, já que o Consulado de Cuba tem menos recursos para gerir as viagens dos cubanoamericanos a Cuba, e os EUA fecharam o seu consulado aos cubanos, aconselhando-os a ir às embaixadas norteamericanas em países terceiros para solicitarem os vistos necessários para irem visitar os seus familiares nos EUA.

O MEDICC declara: No clima tóxico criado por este governo nos EUA, agora, mais do que nunca, a colaboração bilateral com Cuba é imprescindível a todos ao bem da saúde de todos. No objectivo comum de melhorar a saúde e a equidade na saúde, encontraremos um terreno comum para avançar. Para isso, no vigésimo aniversario do MEDICC, o Conselho Académico reafirma e redobra os seus esforços para unir as comunidades de saúde dos EUA, de Cuba e do mundo.