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(O professor Jesús Bonachea com seus alunos do 2ºano - Foto: Irene Pérez/ Cubadebate)

Uma casa, uma escola

Por: Leysi Rubio A., Irene Pérez

Neste artigo: Ciclone, Cuba, Desastres Naturais, Educação, Fotografía, Furacão, Furacão Irma, Recuperação, Villa Clara

11 de Outubro de 2017

Em Cuba há escolas de todas as cores. Os professores ensinam e as crianças aprendem numa aula, num parque ou em casa de uma vizinha chamada Petrona Gliceria.

Nena, como a gente do bairro a conhece, diz que há que “felicitar os professores e a directora porque nada se perdeu, a não ser o tecto e parte das paredes. Mas tudo o que tem mais valor está preservado.”

A Escola Primária “Campaña de Las Villas” é um lugar de referência em Cambaito. Todas as gerações desta zona, a três quilómetros de Caibarién, passaram por essas pequenas  salas de aula que ainda hoje mostram as marcas de Irma.

Na casa de Nena estão a dar aulas aos do pré-escolar pré-escolar. Sentados no átrio da casa, vestidos com uniformes, procuram junto da professora Zoila os aviões amarelos num monte de figuritas de papel.

A mestra interrompe a aula e as crianças lançam em coro uns “bons dias”. Zoila conta que, depois do ciclone, tudo se normalizou. "A vizinha - explica - ofereceu-se desde o primeiro momento para guardar tudo o que fazia falta na escola e ofereceu a sua casa para dar as aulas.”

A professora já vai para cinco anos que está em Cambaito. Tem  a seu cargo um pequeno grupo: quatro crianças. Porém, confessa que “é difícil, porque são da pré-escolar e estão no quintal da casa. Mas, bom, estamos a fazer o máximo esforço e eles estão a sair-se bem. Às vezes ficam um pouquinho indisciplinados, porque se distraem com tudo o que passa por ali. São pequeninos.”

Todos os anos, quando passam os ciclones, as sete televisões e os dois computadores são guardados em casa de Nena, tal como as mesas e o gravador.

Liz Gabriela González Díaz diz imediatamente o seu nome. Conta que passou o ciclone em casa de Cheo, um amigo do seu pai. “Não chorei. Quando o vento soprou de frente caiu todo o tecto.” Os seus pais estão a arranjar a casa, colocando as tábuas que não se partiram.

Liz Gabriela gosta da escola. Também Dayron, Alejandro e Jaison, ainda que estes sejam mais irrequietos. Dizem que a professora os ensina a “brincar”. Agora estão a escolher os aviões entre vermelho, amarelo e verde.

Zoila tem razão: “No pré-escolar aprende-se brincando.”

A sala / a aula

Em casa de María Elena Guerra Rodríguez, já por duas vezes a sala se converteu em sala de aulas. Penduraram um quadro de ardósia e acomodaram cinco mesas no espaço disponível.

O  professor Jesús Bonachea escreveu no quadro um exercício: Divide as sílabas das palavras oco, brinquedo, gelo…

Bonachea ensina aos do segundo ano Matemática, Espanhol e O Mundo em que Vivemos, de segunda a sexta, das 8:00 às 12:00.

María Elena conta com orgulho que as crianças nunca perderam as aulas. “Da outra vez também a cedi (a casa). Desocupei a sala. Para tudo que a Revolução necessite, eu estou presente.”

A Primária “Campaña de las Villas” tem 32 crianças matriculadas, desde o pré-escolar ao quarto ano. Cinco professores e 11 outros trabalhadores põem todo o seu empenho em recuperar o mais cedo possível a sua escolinha.

As crianças de Cambaito

Bertha de la Oz Montes de Oca é a típica professora inesquecível, das que ficam na lembrança para toda a vida. De sorriso aberto e cheia de ternura. Todas as manhãs faz a viagem de San Antonio de las Vueltas até Cambaito, 31,6 quilómetros de autocarro, para dar aula às crianças do primeiro ano.

“Sou professora jubilada e reincorporada. Reformei-me e, ao apelo Raúl, incorporei-me de novo aqui em Caibarién, porque era onde havia falta de professores. Vim para aqui, para este lugar. E parece que bebi da água de Cambaito, porque não me vou embora.”

São sete crianças sob a sua tutela na única sala de aula que se manteve em condições de dar aulas. Enquanto não chover, rectifica, porque pensa que a parede não oferece muita segurança.

“Não me importa com o que me possa acontecer, mas não às crianças. Se virmos que vem chuva, a província disse-nos para retirar as crianças da escola.”

A professora Bertha não os perde de vista. Fala com uma mas, ao mesmo tempo, vigia-os a todos. Aquando do recreio, as crianças oferecem-nos da sua merenda. “Há que educá-los”, diz a professora.

Jan Carlos em cinco anos. É irrequieto e brincalhão. Perguntou-se de como sentiu com o ciclone, disse que não chorou.

“Meteram-me debaixo da cama e depois na casa de banho com uma tábua de madeira. A minha casa era de chapa de metal.  E sei andar na minha bicicleta, que o meu avô me comprou.”

Depois mostra-me o seu braço, como se fosse um pequeno culturista. Todos sorriem. Diz-me que ele também é forte.

Ao Jan Carlos, é o seu tio Paquito quem o traz à escola. A professora diz que os seus meninos são maravilhosos. Nunca faltam e chegam cedinho.

As crianças de Cambaito não têm medo. Nenhuma chora. Às 8:00 da manhã começam as aulas

 

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Legendas das fotografias disponíveis no link referente à fonte

As crianças de Cambaito.  -- Foto: Irene Pérez/ Cubadebate.

O professor Jesús Bonachea com seus alunos do 2º ano. ---Foto: Irene Pérez/ Cubadebate.

A mestra Bertha de la Oz Montes de Oca e as suas crianças  -- Foto: Irene Pérez/ Cubadebate.

Todas as gerações de Cambaito passaram por estas pequenas salas que ainda hoje mostram as  marcas de Irma.  --- Foto: Irene Pérez/ Cubadebate.

Quando passam os ciclones, os sete televisores e osdois computadores guardam-se  em casa de Nena.  ---  Foto: Irene Pérez/ Cubadebate.

Todos nas aulas do Pré-universitário Rubén Martínez Villena.  --- Foto: Irene Pérez/ Cubadebate