Camilo Cienfuegos, que hoje queremos também homenagear, tinha apenas 27 anos quando, em 28 de Outubro de 1959, há precisamente 58 anos desapareceu fisicamente na queda do avião em que regressava a Havana.

Nascido numa família humilde com dificuldades económicas viu-se forçado a emigrar muito jovem para os Estados Unidos onde teve ligação com outros emigrantes latino-americanos tendo participado em várias manifestações e tendo escrito no jornal “La Voz de Cuba” um artigo contra o ditador Fulgêncio Batista.

Em 1955 foi preso pelos serviços de emigração dos Estados Unidos que o deportaram para o México onde esteve preso cerca de um mês, até ser julgado e deportado para Cuba.

É por essa altura que se consolida a sua formação revolucionária: participou em várias manifestações estudantis contra a ditadura de Batista; em Dezembro de 1955 numa homenagem a António Maceo foi baleado numa perna; cerca de um mês depois, aquando duma homenagem a José Martí, foi preso pela polícia de Batista.

É depois disso que ele se integra no Movimento 26 de Julho e se incorpora no Exército Rebelde, sendo um dos revolucionários a participar na Expedição do Granma, que desembarcou na região oriental de Cuba em 2 de Dezembro de 1956, iniciando a heróica gesta que, em apenas dois anos de guerrilha, derrotou o exército regular de Batista e deu a liberdade ao povo cubano.

Na Serra Maestra, começou por fazer parte da coluna comandada por Che Guevara, com o posto de capitão e exercendo a função de Jefe de la Vanguardia, tendo travado importantes batalhas, entre as quais a de Pino del Agua onde o seu desempenho lhe valeu o epíteto de Señor de la Vanguardia.

Em Março de 1958 foi ele o primeiro chefe do movimento a levar o combate para fora da Sierra Maestra e os êxitos que teve em Bayamo e na batalha de La Estrella foram causa da sua ascensão a comandante da Coluna nº 2 Antonio Maceo.

Em Agosto de 1958 é encarregado por Fidel Castro de levar a Revolução para o ocidente da ilha. Da mesma missão é encarregado Che, que comandou a Coluna nº8, Ciro Redondo.

No cumprimento desta missão Camilo enfrentou as maiores dificuldades da sua carreira, nomeadamente na batalha de Yaguajay que manteve cercada durante um mês até à rendição incondicional do comandante, o que representou um golpe decisivo sobre as forças do ditador Batista.

Camilo foi, de seguida, encarregado por Fidel para se dirigir a Havana e tomar o Quartel Columbia, que era o símbolo do poder militar de Batista que, afinal, foi tomado sem opor nenhuma resistência.

Após o Triunfo da Revolução Camilo foi nomeado Chefe de todas as forças Armadas da província de Havana (incluindo aviação, a marinha de guerra e a guarnição do palácio presidencial) e, posteriormente, é nomeado Chefe do Estado Maior do Exército Rebelde.

Mas Camilo não se notabilizou apenas pelas suas acções militares; ele participou nas decisões mais importantes da Revolução, tanto no Conselho de Ministros como na Direcção Nacional do Movimento 26 de Julho e a sua acção incluiu a alfabetização dos soldados, o desenvolvimento da Reforma Agrária, a transformação dos quarteis em escolas e intervindo em representação de Fidel em importantes eventos por todo o país.

O que ficou dito é uma resenha de factos que pontuam a carreira dum herói da Revolução; porém a par do seu talento militar e dos notabilíssimos feitos que alcançou, Camilo deixou na memória dos que com ele privaram a profunda marca do homem que foi.

A simplicidade de Camilo, a sua irradiante alegria, o seu afectuoso relacionamento com quem com ele privava e até a sua fisionomia com o seu sorriso sob o seu “sombrero alón” são talvez o que, antes de tudo, vem à memória quando o recordamos.

Che Guevara falava da necessidade da criação do “Homem Novo” mas talvez ele tenha encontrado em Camilo o modelo do novo homem com que sonhava.

Para finalizar evoco os primeiros versos do “Canto a Camilo” de Carlos Puebla:

Te canto, porque no es cierto Que te hayas
muerto, Camilo Te canto, porque estás vivo
Y no porque te hayas muerto

Muito obrigado

Entre os passados dias 13 e 23 de Outubro de 2017 realizou-se o 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes sob o lema “Pela paz, a solidariedade e a justiça social, lutamos contra o imperialismo – Honrando o nosso passado, construímos o futuro!”, onde a Associação de Amizade Portugal-Cuba esteve representada por Sara Vargas, membro da direcção.

Foram dias de grande partilha e discussão entre milhares de jovens de todo o mundo que dão mais força à luta pela conquista da Paz e pela solidariedade entre os povos abraçando o compromisso da unidade da juventude, pela defesa da paz e pelos seus direitos.

Vários foram os temas abordados temas como a situação dos refugiados, as suas causas e soluções, o crescente militarismo, a defesa da paz e solidariedade mundial, as lutas da juventude por todo o mundo pelo acesso à cultura, ao desporto, à educação, à saúde, à habitação, ao trabalho com direitos. 

Registaram-se também neste Festival vários momentos de solidariedade entre os quais com Cuba e o seu povo. Afirmou-se a prioridade de acção do movimento mundial de solidariedade com Cuba como sendo o levantamento do bloqueio político-económico que representa o maior obstáculo que Cuba enfrenta. Este é um bloqueio que, durando há mais de meio século, tem afectado todas as áreas da vida do povo cubano. O bloqueio afecta o pleno desenvolvimento educacional integral a nível do ensino básico, secundário e universitário, a título de exemplo no que respeita ao intercâmbio, em que um cubano pode ver a sua recepção noutra escola/universidade barrada como consequência directa do bloqueio. Um bloqueio que afecta também a formação de artistas e desportistas cubanos, por exemplo no que respeita à compra de instrumentos e equipamentos. Um bloqueio que também mata impedindo a chegada de medicamentos patenteados nos EUA a Cuba, multando pesadamente quem vende e mantém relações com Cuba.

De destacar que Cuba, apesar de todas as ofensivas que este bloqueio político-económico lhe coloca, defende e aplica uma política de educação gratuita de qualidade para todos numa visão de investimento humano, de formação integral do indivíduo para que este possa contribuir para o desenvolvimento da sociedade, não apenas em técnica, mas sobretudo em valores e pensamento. Cuba não vê a educação como um investimento de mercado, na perspectiva da busca de lucro pela instrumentalização do indivíduo.

Cuba não é apenas uma referência mundial no que respeita à educação e à saúde, área em que também os seus méritos de investigação, diagnóstico e cuidados são reconhecidos. É-o também no que concerne à solidariedade internacional, algo que Aleida Guevara demonstrou ao apelar à solidariedade internacional para com o povo cipriota que vê 1/3 do seu país ocupado pelos turcos. Um apelo de Cuba que não se findou nesta declaração e se reforçou em vários momentos de solidariedade internacional com outros povos no decorrer do Festival.

A convicção do povo cubano nos ideais revolucionários mantém-se viva. A convicção da vitória da sua resistência e luta mantém-se viva.

Cuba carrega muitos exemplos dos crimes do Imperialismo, mas perante eles tem demonstrado também um exemplo de resistência. Cuba vencerá!

 

20 de Outubro, dia da cultura cubana

BAYAMESA

Al combate corred bayameses

Que la Pátria os contempla orgullososa

Non temais una morte gloriosa

Que morrer por la pátria es vivir!

En cadenas vivir es morir en afrenta y oprobio sumidos.

Del clarin escuchad el sonido,

A las armas,valientes,corred!

Comemora-se hoje, 20 de Outubro, o dia da cultura cubana.

Decidiu o governo cubano que, tornando-se necessário escolher uma data que permitisse comemorar anualmente o surgir de uma cultura cubana, independentista, anti-imperialista e dirigida ao progresso social, deveria esta ser dia 20 de Outubro, data em que se verificou a libertação da cidade de Bayamo e que marca o nascimento de uma Nação valente, o dia em que , pela primeira vez, foi ouvido o hino cubano.

Em 10 de Outubro tinha-se iniciado a guerra de libertação contra o colonizador espanhol, liderada por Carlos Manuel de Céspedes que seria o primeiro Presidente da República.

Ao grito de VIVA CUBA LIVRE!, o chamado grito de Yara, Céspedes proclamou a independência de Cuba e libertou os seus escravos, dando início à Guerra dos Dez Anos.

Em 18 de Outubro tomou a cidade de Bayamo, libertando todos os escravos insurrectos e é composto um hino que se torna o hino nacional de Cuba -

La Bayamesa.

O povo venezuelano fez ouvir a sua voz, acorrendo às urnas e elegendo governadores do Partido Socialista Unido da Venezuela, em 18 dos 23 estados,no passado dia 15 de Outubro, manifestando assim o seu apoio à revolução bolivariana.

As eleições decorreram de forma pacífica, com a presença de observadores nacionais e internacionais que confirmaram a legalidade e regularidade do processo eleitoral.

Esta eleição, que foi praticamente silenciada pela comunicação social portuguesa, demonstrou que o povo venezuelano defende a paz e pretende que os conflitos sejam resolvidos de forma pacífica e no quadro constitucional do país. 

Esta vitória eleitoral desmascara as manobras de ingerência do Departamento de Estado norte-americano e deveria envergonhar a administração norte-americana pela aplicação de sanções injustas ao povo venezuelano que, como se confirma, não se vergará perante as tentativas do “ império “de se apoderar dos recursos da Venezuela e de submeter a América Latina recuando aos tempos da doutrina Monroe.

A AAPC felicita o povo venezuelano por esta vitória da democracia e manifesta a sua solidariedade com a revolução bolivariana!

A Venezuela Bolivariana vencerá!

 

 

9 de Outubro de 1967

“Liquidaram o Revolucionário
Não liquidaram as suas ideias”

“Nós temos a consciência da dimensão da perda para o movimento revolucionário. E, no entanto, é precisamente aí que reside o lado fraco do inimigo imperialista: acreditar que liquidando o homem físico, se liquida o seu pensamento; acreditar que junto com o homem físico, se liquidam as suas ideias; acreditar que junto com o homem físico, se liquidam as suas virtudes; acreditar que junto com o homem físico, se liquida o seu exemplo.”

Fidel Castro

(Intervenção de Fidel de Castro nas cerimónias fúnebres na Praça da Revolução em Havana)

A Associação de Amizade Portugal Cuba presta a sua homenagem ao Revolucionário exemplar que dedicou a sua vida à luta pela Liberdade e Democracia, na defesa da soberania dos povos, na defesa dos mais fracos e oprimidos, demonstrando pela sua atitude e exemplo que é possível outra sociedade, que existem alternativas ao capitalismo.

Che Guevara e muitos outros seus companheiros da Revolução deixaram-nos o exemplo do que deve ser a atitude de um verdadeiro Revolucionário.

As grandes vitórias alcançam-se na luta diária, com a forte convicção de que o caminho traçado é o que melhor serve o Povo, independentemente dos desaires ocorridos no percurso dessa luta. A não ser assim, Cuba não teria resistido a 57 anos de um Bloqueio criminoso movido pelo Imperialismo.

Liquidaram o Revolucionário, não liquidaram a Revolução.

 

A Direcção,
9 de Outubro de 2017

 

 

 

 

 

 

Cuba enfrenta novamente o Exame Periodico Universal do Conselho dos Direitos Humanos.
Como aconteceu noutras ocasiões, organizações do todo o mundo enviam a suas contribuições para o Escritorio do  Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

A Associação de Amizade Portugal Cuba enviou para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos o texto que se transcreve.

Assinala-se hoje o dia internacional para a eliminação total das armas nucleares.

A Associação de Amizade Portugal Cuba, organização defensora da Paz e solidaria com todos os Povos que lutam pela independência e soberania não podia deixar de se regozijar pela aprovação no passado dia 20 de Setembro nas Nações Unidas do Tratado sobre a proibição das Armas Nucleares.

Cuba foi um dos subscritores desta iniciativa e como tem sido demonstrado ao longo dos anos reafirma-se como um Estado sempre na primeira linha na luta pela paz.

A Humanidade não pode esquecer os horrores dos fatídicos dias 6 e 9 de Agosto de 1945 em que o Holocausto de Hiroxima e Nagasaqui se abateu sobre o Povo daquelas cidades.

A corrida armamentista que se verifica em todo o mundo, sempre em crescendo e com premanentes ameaças, como as proferidas por Donald Trump de que arrasaria a Coreia do Norte, invasões perpretadas pelo Imperialismo Norte Americano e a Nato a estados independentes, infringindo o Direito Internacional a coberto do silêncio comprometedor e cumplice de Governos, como o de Portugual, não facilitam de forma alguma a luta que se impõe pela paz e de que o Tratado agora aprovado nas Nações Unidas é exemplo cabal da vontade inequivoca dos Povos em irradicar o armamento nuclear.

A guerra não serve a nenhum Povo e por isso ganham expressão mundial ações importantes da denúncia dos senhores da guerra e se tornam globais os apelos à Luta incessante pela Paz e pela eliminanção total de todas as armas nucleares.

A Paz tem de vencar,

A Paz vencerá!

26/9/2017

 

Convocado o 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), que se realizará em Sochi, na Federação Russa, de 14 a 22 de Outubro de 2017 sob o lema “Pela paz, a solidariedade e a justiça social, lutamos contra o imperialismo – Honrando o nosso passado, construímos o futuro!”, formou-se o Comité Nacional Preparatório português para o festival, no qual a Associação de Amizade Portugal Cuba se insere.

O 19º FMJE será um grande encontro mundial de jovens que lutam, em cada país, pelos direitos da juventude, pela Paz e a solidariedade entre os povos, um grande encontro de culturas e de experiências de participação juvenil, um momento de afirmação de que os jovens rejeitam o racismo, a xenofobia, o fascismo e a guerra. Ao longo dos seus 70 anos de história, o Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes sempre se afirmou como um movimento, envolvendo de forma ampla a juventude de cada país, em que o processo preparatório nacional é tão importante como os dias do Festival.
 
O CNP português tem como função divulgar o Festival e os seus valores entre a juventude portuguesa, realizando actividades em torno das questões da Paz e da amizade entre os povos, mobilizando a juventude para o Festival e o seu processo preparatório a partir da realidade e aspirações próprias da juventude portuguesa.
 

Link da página de facebook do conselho preparatório nacional do 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes:

https://www.facebook.com/cnp19fmjeportugal/