Tributo a Fidel Castro

25.11.2017 - 15:30h

Escola Profissional Bento de Jesus Caraça

Intervenção de Augusto Fidalgo

Presidente da Direcção Nacional da AAPC

Caros companheiros

Estamos hoje aqui a prestar Tributo a uma figura impar da história do nosso tempo cujo pensamento marca o movimento de resistência dos Povos e também de conquista, na luta contra o domínio imperialista.

Tudo quanto se possa dizer sobre tão grande personalidade está longe de espelhar a sua grandeza como ser humano e como revolucionário. Todo o seu pensamento tinha um sentido único: dar força e voz aos mais desfavorecidos, combater a pobreza, dar o verdadeiro sentido à palavra Liberdade e Democracia.

Vivemos um tempo em que o pensamento único é incutido cientificamente na mente humana através dos grandes meios de comunicação, manietando as realidades semeando hipocrisia subjugando a mente dos povos educando-a para a guerra tentando fazer acreditar que a guerra é o bem na luta contra os “infiéis” sendo infiel todos quantos não sigam as linhas orientadoras dos interesses imperiais, melhor dizendo, do imperialismo.

Fidel foi sempre a voz da denúncia da hipocrisia dos poderosos questionando em pleno Plenário da ONU em 1979 a visão distorcida de democracia apregoada à boca cheia pelos engravatados ocidentais.

“Por que razão uns povos têm de andar descalços, para que outros viagem em luxuosos automóveis? Falo em nome das crianças que no mundo não têm um pedaço de pão … em nome dos enfermos que não têm remédios. Falo em nome daqueles em que se negou o direito à vida e à dignidade humana… para que serve então a civilização? Para que serve a consciência do homem? Para que servem as Nações Unidas?”

Na verdade companheiros, podemos considerar que vivemos em democracia plena??? Não companheiros, não podemos! Em democracia o Povo teria de ter direito à habitação ao acesso gratuito à educação, direito à Saúde e à cultura. Numa Democracia plena o Estado não se podia permitir roubar aos Trabalhadores para pagar as dívidas dos Banqueiros assim como não alimentaria máquinas de guerra, como a NATO, ao serviço do Imperialismo Norte-americano que espalha a morte e a miséria em todos os continentes. Não poderia dar cobertura a golpes palacianos como aconteceu no Brasil, teria de estar do lado certo da Barricada. Numa Democracia plena, não poderiam os Governos alinhar com o crime político e esconder-se cobardemente atrás das políticas de uma União Europeia colonizada pelos EUA de Tramp. Como acontece em relação à Venezuela, Síria ou Palestina. Não poderia um chefe de Estado receber com pompa e circunstância um Presidente como o Presidente da Ucrânia cúmplice do massacre de Odessa em Maio de 2014 onde foram queimados vivos na Casa dos Sindicatos, mais de 30 sindicalistas por hordes Nazis que lhe são afectas.

Bem podemos assistir ao derramar de lágrimas de crocodilo pelos horrores causados pelos incêndios e ao alijar de responsabilidades por figurões e figuronas quando têm sobre si o ónus de décadas de políticas de direita com total ausência da solidariedade que agora apregoam ter.

É esta hipocrisia que Fidel sempre denunciou e que devemos combater incessantemente na nossa luta diária onde quer que estejamos: nos sindicatos, nas Comissões de Trabalhadores, nas freguesias, nas ruas.

Foi esta a revolta manifestada por Fidel, em palavras proferidas no coração do poder, no seu discurso que marcou aquela Assembleia e ficou na história.

Fidel contrapõe a complacência de políticas de desgraça para os Povos com políticas humanistas e de verdade ao implementar em Cuba reforma agrária, o esforço para a industrialização, o acesso do Povo à educação e à cultura o direito à saúde o exemplo da Solidariedade Internacionalista, traço forte da Revolução Cubana transmitida ao Mundo.

Na verdade companheiros, enquanto o Povo Cubano enfrenta um Bloqueio criminoso movido pelo Imperialismo, que é um acto de ódio inequívoco, sanguinário, praticado sem pudor, Cuba ajuda no que pode quem mais precisa. Basta retermo-nos nas palavras de Raul Castro quando da destruição causada pelo Furacão IRMA. Este é o exemplo que fica de um Homem e de uma Revolução.

Ao longo de quase 60 anos de Bloqueio a Revolução resiste porque existem ideias claras e inequívocas sobre o objectivo a atingir, porque o Povo toma parte no processo de construção porque persiste o exemplo de homens com verticalidade, verdadeiros Revolucionários.

“A batalha das ideias, não é mais do que a confrontação dos nossos profundos princípios humanitários e de solidariedade, com o objectivo de demonstrar quão superiores são aos do sistema capitalista” (Fidel de Castro).

O Tributo que hoje aqui assinalamos, é do reconhecimento profundo e deve servir para nos catapultar para a luta persistente em torno dos ideais da justiça, da liberdade da Democracia plena e de uma sociedade sem explorados nem exploradores.

Exemplos não nos faltam de homens e mulheres que dedicaram toda a sua vida à causa da Liberdade. Homens e mulheres que vivem na nossa memória e são também eles referências para a Luta que não pode abrandar.

Caros Companheiros,

Caros camaradas,

Fidel Vive e por essa razão não podemos deixar de prestar a nossa solidariedade, porque essa solidariedade esteve sempre no seu pensamento, à Republica Bolivariana da Venezuela e ao seu Povo.

Solidariedade com todos os Povos que enfrentam e resistem à besta Imperialista e por isso devemos exigir a cada um de nós todo o empenho nessa mesma Luta.

Fidel Vive!

Cuba vencerá!

Viva a solidariedade Internacionalista.