Comemoração do 59º aniversário do Triunfo da Revolução Cubana

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Homenagem a Odete Santos

1 de janeiro de 1959 – 1 de janeiro de 2018-01-21

Este é o 59º aniversário do Triunfo da Revolução Cubana, e mais um almoço celebramos para a sua comemoração.

A Revolução segue vitoriosa, apesar das continuadas ameaças de medidas que afetam a economia de Cuba e destabilizam o País. Caberá à Sr.ª Embaixadora falar da atual situação de Cuba.

Este ano, o Núcleo de Setúbal da AAPC alegra-se de estar aqui a homenagear Odete Santos, Presidente do Núcleo de Setúbal durante vários anos, dando o seu valoroso contributo desde o primeiro momento da sua formação, na solidariedade com Cuba contra o bloqueio imperialista e noutras ações de solidariedade geral.

Odete Santos foi sempre incansável em cada iniciativa que a Direção do Núcleo se propunha realizar, demonstrando que, quando se é verdadeiramente revolucionário, as dificuldades acabam por ser ultrapassadas levando até ao fim as causas que achamos justas.

É certo, Odete, possuidora de uma profunda cultura, colocava sempre com facilidade o seu vasto conhecimento ao serviço do Núcleo, mas saber só não basta, é necessário também muita dedicação e esforço.

Nesta justa homenagem e tão insuficiente, considerando o seu intenso trabalho realizado em torno da Revolução Cubana, recordamos a Odete sempre pronta a esclarecer-nos e contribuir decisivamente para nos fortalecer política e culturalmente.

Pessoalmente, fica aqui expressa, a minha admiração e um pouco de “inveja” pela sua capacidade de memória invejável, pelo seu espírito de entrega às causas e pela sua capacidade de oradora.

A Odete trouxe para o Núcleo toda a sua paixão pelo Teatro e pela Poesia, contribuição que serviu também para a divulgação da História e da Cultura Cubana.

Um dia, a minha filha chegou a casa e disse-me:

“– Mãe és capaz de fazer um vestido para a Mónica representar a França numa peça que estamos a ensaiar na Associação?

E foi assim, com muito orgulho, que participei na peça “A Estrada vira à Esquerda”, num original de Odete Santos. Este espetáculo foi dedicado a Rogério Paulo, ator e ex-presidente da AAPC. Esta peça foi enriquecida foi enriquecida com poemas, entre os quais, o poema de Mário Dionísio, em que o poeta denuncia a criminosa repressão fascista, no seu último recurso, como o assassinato.

E assim, entre as inúmeras iniciativas de solidariedade com Cuba, percorreu-se muita poesia. Como disse Bento de Jesus Caraça, num encontro em Havana sobre a defesa da Cultura no Terceiro Mundo, “Defender a Revolução, equivale a defender a Cultura”.

Este mesmo espaço serviu várias vezes de cenário à divulgação de poetas cubanos e portugueses, pois os poetas sempre foram sensíveis à luta transformadora dos povos.

Fizeram-se muitos Cafés-Concertos, onde a música e a poesia conviveram próxima e intensamente. Através da poesia, Odete tornou o Núcleo intensamente interventivo. Nicolás Guillén, considerado pelo Povo Cubano o seu poeta nacional, foi inúmeras vezes lembrado.

Foi dramatizada a poesia “A Invenção do Amor” de Daniel Filipe. Esta peça foi representada pelo Núcleo no Centro Cultural de Belém e noutros lugares em nome da Associação, sendo estas representações bem pagas e o dinheiro ganho, revertido em medicamento e enviados a Cuba.

Já com alguma dificuldade, por motivos de saúde, a Odete levou a cabo a encenação de uma peça baseada no livro “A Casa de Eulália” de Álvaro Cunhal, numa narrativa de 5 meses da Guerra Civil de Espanha.

Na peça, Odete não deixou de referir o periodista cubano, Pablo de la Torriente Brau, vuluntário na Guerra Civil, caído em combate em Madrid. Pablo foi homenageado pelo poeta Miguel Hernández, com o belíssimo poema “Elegia Segunda”, do qual Odete inseriu na peça um representativo fragmento.

A canção “A Galopar”, que amos ouvir, serviu para consolidar a peça, é especialmente dedicada a Odete. É uma grande honra participar nesta homenagem, embora modesta, mas de todo muito sincera e sentida”

Obrigada Odete, por tudo!