Cuba, 54 anos de bloqueio

Realizou-se ontem dia 3 de Abril em Évora, uma iniciativa promovida pelo Núcleo da AAPC de Évora.

Transcreve-se o documento que a Direcção Nacional da AAPCN entregou à Presidente da Mesa da conferência com o tema » Cuba, 54 anos de bloqueio, que se realizou na Câmara Municipal de Évora - Sala dos Leões.

VISITA DE BARACK OBAMA A CUBA

A Associação de Amizade Portugal Cuba considera que a visita do Presidente Barack Obama à República de Cuba foi um acontecimento de grande significado vivido na história da Revolução Cubana. Foi indubitavelmente um acontecimento de enorme significado político para Cuba, para os Estados Unidos e para o Mundo.

 

 

Trata-se de um acontecimento de sentido contrário ao que a realidade nos mostra no que se relaciona com a política externa estadunidense.

Foi um importante momento de diálogo e respeito mútuo, dialogo realizado como Cuba desde sempre defendeu, de igual para igual. Trata-se de um facto politico que, não ignorando as enormes diferenças existentes e que se mantêm e, apesar de não alterar a sua politica em relação à Pátria Socialista de forma significativa, abre caminhos e aponta para a normalização das relações diplomáticas entre os dois estados, situação que Cuba sempre defendeu desde que respeitada a carta das Nações Unidas a não ingerência nos assuntos internos de cada nação o direito a cada povo decidir sobre o seu próprio caminho.

Neste contexto é uma vitória de Cuba que tem de ser enaltecida. Vitória da resistência de um Povo que apesar de mais de meio século de um hediondo Bloqueio, económico, comercial e financeiro imposto pela pátria do imperialismo soube defender heroicamente a sua soberania e assegurar direitos fundamentais que são negados aos trabalhadores e aos povos de países ricos e desenvolvidos como é exemplo os próprios Estados Unidos da América.

É uma visita que, para abrir os caminhos do futuro só poderá ter efeito e cumprir os seus objectivos se verificadas duas condições essenciais:

A primeira é a que qualquer relação futura entre E.U.A. e Cuba tem de ser construída na base, não do esquecimento do passado mas sim, na sua análise crítica e séria para que, sobre velhas ou novas roupagens não se voltem a verificar políticas de ingerência tendentes a provocar pressão e desestabilização interna ou seja, qualquer relação tem obrigatoriamente de ser construída com base no respeito pela soberania do Povo Cubano.

A segunda condição, é que esse caminho só é possível de percorrer com o levantamento efectivo do Bloqueio a desocupação da base Militar de Guantanamo e a devolução ao Povo Cubano daquele território ilegalmente ocupado. O fim do financiamento a grupelhos, grupos ou organizações que têm como único fim a desestabilização interna.

Na realidade não é credível falar de relações diplomáticas assentes nos princípios definidos na Carta das Nações Unidas quando o Congresso reforça em mais 100 milhões de dólares o apoio a organizações que conspiram contra o Estado e o Povo Cubano utilizando a calúnia vergonhosa.

O que o Mundo pode ver através da visita de Obama e que já havia sido salientado aquando da presença em Cuba dos mais altos representantes das Igrejas Católica e Ortodoxa foram os avanços, também reconhecidos pelo Presidente dos Estados Unidos, no domínio da saúde e do ensino e dos direitos sociais e que em Cuba não existe fome.

A Associação de Amizade Portugal Cuba não tem ilusões quanto aos obstáculos e dificuldades que se colocam ao desejado caminho da normalização das relações entre os dois estados. Cuba tem direito a tratamento igual ao de qualquer estado membro das Nações Unidas por parte dos E.U.A..

Apesar da habilidade nata que reconhecemos ao Presidente Obama como comunicador, não conseguiu camuflar o objectivo patente nas suas várias intervenções, de não abandonar o objectivo de ingerência para derrubar a Revolução Cubana e as suas conquistas.

Neste quadro, a Associação de Amizade Portugal Cuba entende que a solidariedade para com o Povo Cubano e a sua Revolução é mais necessária do que nunca perante as novas e exigentes realidades.

A luta das ideias constitui já uma significativa e importante vitória nestes longos anos de combate e é demonstrativa através da persistência é possível resistir e vergar os inimigos mais poderosos.

 

CUBA VENCERÁ!