“CUBA ABRIU-SE AO MUNDO”

Quando a comunicação social portuguesa dá notícias sobre Cuba ou diz mal ou tem piada.

Hoje, nas notícias das 13h., falou-se do desfile da “Chanel” em Havana. Para a TV, com esse desfile, “Cuba abriu-se ao mundo”.

Não foi o mundo que começou a abrir-se a Cuba ou a dizer que se ia abrir a Cuba. Não, foi o contrário: Cuba, depois de um longo bloqueio com que castigou o mundo, decidiu agora abrir-se ao mundo.

 

Nas notícias das 20h., disse-se: «Um desfile de alta moda, Chanel, até há bem pouco tempo pareceria uma tirada irónica, mas agora os tempos estão a mudar».

Há um ano, mais ou menos, quando foi anunciada a tal abertura de “Cuba ao mundo”, sobre uma manifestação das chamadas “damas de branco", um apresentador da TV “informava” que era um movimento proibido em Cuba. Neste caso, a ironia esteve em que ele não deu conta de que a câmara já estava a filmar o desfile das damas que, aliás, se repete periodicamente em Cuba.

Esta semana, a TV reportou a partida de um navio com cidadãos norte-americanos para Cuba. Fiquei convencido que eram turistas.

Mas não: conforme noticiou a imprensa cubana, o navio “Adonia” chegou a Havana, na Segunda-feira, «sem um só turista a bordo». Os 700 lugares do navio «foram totalmente ocupados por passageiros norte-americanos de programas de intercâmbio “povo a povo”, algumas dezenas de jornalistas e altos dirigentes da companhia Fathom de Canival, com sede em Doral, Florida».

E qual a razão? É que o bloqueio, QUE OS EUA MANTÊM CONTRA CUBA, proíbe viagens turísticas de cidadãos norte-americanos a Cuba. Então, a referida companhia de navegação, aproveitando pequenas alterações decididas pela administração Obama quanto ao bloqueio, decidiu organizar uma viagem centrada em actividades culturais, ao abrigo de uma autorização para viagens de carácter educativo (“povo a povo”).

E qual é a diferença?!

É que os norte-americanos, inseridos nos programas “povo a povo”, podem visitar Cuba, mas não podem tomar banho nas praias cubanas. Porque o bloqueio ainda mantém a proibição de viagens turísticas. E tomar banho na praia é turismo e não cultura.

E esta, hem?!

Que grande ironia: “Cuba abriu-se ao mundo”, mas não abriu ainda as suas praias ao Mundo!!!!

 

Rui Barreiros

Núcleo de Coimbra